A morte de Didu

by Marcos on fevereiro 16, 2009

Dizem que o que vem rápido, vai rápido. Vai rápido no sentido de da mesma forma que Deus lhe dá, lhe tira repentinamente. Na sexta-feira estava eu no trabalho quando minha mãe começa a me ligar. A rede lá é péssima, e geralmente eu tenho que retornar do fixo para ela, mas eu consegui, na terceira ligação dela, ouvir as seguintes palavras em sílabas, e aos prantos: ma-ta-ram o Di-du, ma-ta-ram o Di-du. Foi uma sensação horrível e imediatamente desliguei o celular, pois mal a ouvia, e liguei da minha sala pra ela. Minha mãe, soluçando e chorando muito, despejava que nosso cachorro Didu acabara de ser atropelado. Não teve como e, obviamente, comecei a chorar com ela enquanto pedia que acalcasse. Ao saber da morte do meu cachorro de oito meses, foi como se estivesse sendo esfaqueado 10 vezes, e ouvindo minha mãe chorando daquela forma, era o mesmo que levar 10 facadas pelas costas.

Eu moro fora, meu irmão do meio é casado e tem a casa dele e meu irmão caçula trabalha e ainda possui uma loja. Logo a companhia da minha mãe era o Didu, e ele era um cachorro por demais esperto e paparicado, lindo. Impossível não se apaixonar por ele.

Minha casa está em reformas, que começou na última semana, e Didu não tinha costume de sair nem na calçada de casa. Só ficava dentro. Minha rua, em Ipatinga, é muito movimentada e a principal do meu bairro, e ainda por cima é morrada e passa ônibus e carro o tempo todo. Os carros descem chutados. Didu, num momento de descuido de minha mãe, acompanha um dos pedreiros até a caçamba que estava em frente de casa e então, bem… Felizmente ele apenas levou uma pancada de raspão na cabeça, mas o suficiente para que ele caísse no mesmo segundo, sem latir, e morrer imediatamente. Sem sangue, sem ferimentos, sem sofrimento por parte dele. Minha mãe fazia o almoço para os pedreiros quando foi chamada por uma vizinha. Quando minha mãe chegou na porta de casa, foi uma lástima. Muito choro, choro e choro. Didu estava no meio-fio da minha calçada, em Ipatinga, e minha mãe inconsolável. Os vizinhos choravam também por causa da cena, ou por causa dele, ou por causa de minha mãe. O cara que o atropelou não parou o carro para ajudar e nem nada. O mais chocante de tudo é que na véspera minha mãe havia comprado um portão novo, todo fechado, principalmente por causa de Didu, para que ele pudesse andar na varanda da frente de minha casa em Ipatinga e não ver a rua, ter mais liberdade em todos os cantos da casa.

Eu estava prestes a viajar para Ipatinga para um evento de dois dias da empresa por lá, e ás 14:30 viajei. Estava arrasado, triste por causa de minha mãe, triste por causa da morte de Didu. Eles o colocaram numa caixa e meu irmão, que também chorava incessantemente, uma vez que Didu era apaixonado por Breno, não desgrudava dele, o o cobriu com sua caminha, suas coisinhas, e foi enterrá-lo. Eu não queria em hipótese alguma que a Prefeitura o recolhesse. Queria que ele fosse enterrado, e assim foi. Cheguei em casa por volta de 23h da sexta-feira e minha mãe ainda chorava, e foi assim durante todo o sábado. Como minha casa está em reformas e que durará uns quatro meses, resolvi voltar com o pessoal do trabalho para Belo Horizonte, mesmo porque minha casa está tomada por poeira, e eu sou extremamente alérgico.

Bem, só quem possui animal de estimação sabe o quanto nos apegamos a eles, e eles acabam sendo como um membro da família, muitas vezes mais paparicados que os próprios filhos. Existe um ser mais leal, que te incondicionalmente, do que um cão ou um filho? E olha que muitos filhos não amam seus pais. Lembranças teremos muitas, inclusive registradas em vídeos, DVD e muitas fotos. Mas enfim, ficou um vazio em casa, um vazio em nossos corações. Eu adoro cachorros, e os que tive, em especial, foram extramente bem cuidados e amados por todos da casa. Vou deixar uma foto deles para que vejam….Tem como não se apaixonar por um caozinho deste?

É a vida. 8 meses.

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